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Sam Ba . Encontro de culturas

Tive uma gripe fortíssima que me gerou uma infecção urinária com dores abdominais de crise renal. Um terror. Pedi a um amigo médico que me indicasse um profissional,
 – Nada disso vá agora para o Hospital das Clínicas da USP.

Fui atendido em 10 minutos. Da recepção à triagem, da médica - por sinal uma gata - à enfermagem fui atendido com muita gentileza e competência.
A médica, bonita, discretamente maquiada, sem perfumes, bem vestida e sorridente me passou uns exames e uma medicação de urgência que foi administrada lá mesmo. Prescreveu uma medicação de suporte e pediu que retornasse em uma semana para avaliação. A medicação poderia ser retirada no próprio hospital ou em qualquer estação do Metrô. Em menos de uma hora estava tudo resolvido.
Pode até ter sido um acaso estatístico, mas aconteceu. Um atendimento melhor que Portugal, Inglaterra ou Alemanha, onde já morei. Sampa faz muita diferença da balada ao hospital.

Já avisei a vários amigos que se eu precisar ser atropelado quero ser em São Paulo.
Estava na Av. Vergueiro em Vila Mariana quando vi um rapaz ser atropelado ao atravessar a avenida fora da faixa. Em menos de dois minutos já haviam chegado duas motocicletas da polícia.
A primeira estacionou ao lado do rapaz protegendo-o. A segunda parou bem antes dele, virou-se em posição de contramão voltada de frente para o tráfego com os faróis, piscas e sirenes ligados. Um policial protegia o rapaz, o outro desviava o fluxo do trânsito. Ambos de rádio na mão fazendo comunicações.

Cinco minutos depois chegou uma primeira ambulância de resgate. Logo depois chegou uma outra de algum serviço médico, provavelmente chamada por alguém que assistiu ao acidente. Em seguida chegaram os bombeiros. Mais uns dois minutos chegou um helicóptero da polícia que ficou sobrevoando parado bem em cima do local do acidente. Logo depois chegou um segundo helicóptero de alguma estação de televisão que ficou girando acima do local transmitindo ao vivo.
Um atropelo, duas motos, duas ambulâncias, dois helicópteros.

Voltando ao Hospital das Clínicas da USP para onde certamente o rapaz aí de cima foi levado, afinal na entrada do Pronto Socorro há uma placa de aviso: Prioridade para resgate, ambulância e helicópteros.
Uma semana depois daquela minha crise, como pediu a médica, eis-me lá de volta. Desta vez não fui atendido por ela, mas por um médico. O rapaz era igualmente paulista, tipicamente gentil, com aquela formalidade educada dos paulistanos.
– Bom dia senhor, sente-se por favor. O que se passa?
– Obrigado doutor, bom dia.
– Bom dia obrigado, fique à vontade.

Passei a contar-lhe rapidamente minha estória. Ouvindo-me com atenção ele disse,
– Por favor, continue, e não se importe se enquanto lhe ouço que eu procure seus dados no sistema. E voltou-se para a tela do PC em cima de sua mesa.
– Obrigado doutor.
Enquanto ele localizava meus dados e resultados dos exames no computador eu lhe disse que já havia passado por algo semelhante há muitos anos atrás quando morava em Salvador.
Ele se volta de repente para mim. O rosto do rapaz se iluminou. Sorriu, largou o teclado.

– Você é baiano?
– Não doutor. Sou carioca mas morei muito tempo em Salvador. O senhor é baiano?
– Também não. Sou paulista, mas morei estes últimos dez anos em Salvador.
Subitamente a postura do médico, seus modos e principalmente seu jeito de falar mudaram completamente.
– Sinto uma saudade da porra de Salvador! 'Cê morava onde?
– Na Graça e você?
– No Costa Azul. Mas conheço a Graça, é um bairro da porra, disse ele.
Já adotando um jeito meio cúmplice, meio relaxado ele perguntou,
– E aê? Essa porra tá doendo muito?
– Pra caralho.
– Deixa comigo porra. Vou mudar a porra da medicação, pedir mais umas porras duns exames e quero ver se a gente não acaba com essa sacana dessa bactéria.

Para quem não tem intimidade com o baianês, “porra” na Bahia é usada indiferentemente como sujeito, substantivo, adjetivo, predicado de várias ordens, interjeições de vários tipos. Expressões de raiva, alegria, espanto, prazer, admiração.
A palavrinha mágica é usada para substituir outras palavras, nomes, situações, conceitos e lugares que você não se lembra, ou não quer nomear, no momento em que fala.
É usada tanto para iniciar como para terminar as frases. Como indicativo de mudança de parágrafo, pausa, ponto final, dois pontos, ponto e vírgula, três pontinhos, ponto de interrogação e principalmente vírgula. Sem essas vírgulas verbais as frases ficam sem pontuação, ninguém vai entender.
Serve para tudo porra menos o sentido original. Até em Sampa.

O Humor de Freud e Lacan

Uma coisa que não entendo é por que parte dos meus amigos e amigas psicanalistas são meio sem humor ou se chocam com o humor politicamente incorreto.
Humor politicamente correto é a coisa mais sem graça que conheço. Não acredito em humor a favor todo humor é corrosivo. Isso me surpreende ainda mais por que foram justamente Freud e Lacan quem mais e melhor estudaram o Humor. 

Vale lembrar uma gravação de chamada em espera do telefone de um consultório: 
Obrigado por ter ligado. 
Se você é obsessivo compulsivo tecle 1 repetidamente. 
Se você é dependente e sem iniciativa peça para alguém teclar 2. 
Se você tem múltipla personalidade tecle 3, 4, 5 e 6. 
Se você é maníaco paranoico  nós sabemos quem é você e o que quer, fique na linha enquanto rastreamos sua chamada. 
Se você é esquizofrênico, ouça cuidadosamente que as vozes dirão qual número você deve ligar. 
Se você é maníaco depressivo, não importa o número que você teclar. Ninguém vai atender mesmo.

Mais corrosivo do que Lacan é impossível,
 - O Amor é dar o que não se tem a alguém que não quer.
O próprio Freud diz que o humor não é resignado mas rebelde. Há tiradas dele que são antológicas. 
Ao comentar uma decepção de um colega ele disse,
- Rebecca tire o vestido você não está mais noiva. 
Quando para escapar para a Inglaterra das mãos dos nazistas ele foi obrigado a escrever uma declaração de que havia sido bem tratado ele escreveu,
- Posso recomendar cordialmente a Gestapo a todos.

Preta, preta, pretinha.

Passei por uma experiencia assustadora que literalmente gelou minha espinha, que me deixou atordoado por dias.
Há sempre uma intolerância latente nas sociedades que ó tempora, ó mores, ó loco, pode se dirigir contra judeus, homossexuais, negros, imigrantes, etc. Agora por aqui ela está bem focada nos fumantes, os discriminados da vez. Por consenso social estes grupos sofrem desrespeito, perseguições. A população se sentido legitimada discrimina impiedosamente. Até aqui nenhuma novidade.

Eis que, morando em Salvador fui um dia ao supermercado. Filas imensas, blá, blá, blá, o usual. Quando estou para finalmente ser atendido, a pessoa que acabara de pagar resolve discutir com a menina do caixa o preço de um determinado produto. Atenção: depois de ter pago.
Claro que a discussão que se prolongava era inútil. A menina aconselhava o cliente a procurar pela gerência, mas o cara estendia e estendia a conversa. Um chato.

Nisso eu me dirijo a ela e no mais puro e castiço baianês lhe peço,
- Ô minha pretinha, adiante aê meu lado.
A menina pulou da cadeira. Ficou de pé, a face transtornada, o dedo em riste me acusando,
- Ele me chamou de pretinha!
Todos pararam para ver o monstro discriminador. Eu.
Algumas pessoas próximas confirmavam,
- Ele chamou a menina de pretinha. Chamou sim, chamou mesmo.
A confusão se estendeu para as filas vizinhas. Eu completamente paralisado me perguntando: onde estou? que cidade é esta?
Me vi sendo acusado de preconceito racial, logo eu que já namorei negras, logo eu que sou apaixonado por Salvador, esta cidade de mais de 96% de mulatos.
Me senti num cenário de Kafka. Era por demais absurdo. Principalmente por ser a expressão intrinsecamente carinhosa. Principalmente por ser na Bahia. Principalmente por ser em Salvador.

Esta terra terá mudado tanto assim, terá se tornado tão igual às outras? A Bahia acabou?
Lá estava eu completamente petrificado. Acabara de rasgar o terceiro e o quinto artigo da Constituição, ferira o Código Civil e o Código Penal. Cometera crime inafiançável.
Iria parar nos jornais. Iria parar por dois a cinco anos na cadeia, mais a multa. Uma tragédia.
Bem pelo menos se eu fosse parar num tribunal, lá também teriam de estar comigo o Moraes Moreira, todo o grupo dos Novos Bahianos, o Luiz Caldas, o Tom Zé, a Bethania e o Caetano Veloso, no mínimo. O promotor teria contra nós pelo menos umas vinte músicas como prova de acusação de crime hediondo.
Lá estaria principalmente o Gilberto Gil que certamente pegaria prisão perpétua por ter afrontado a própria filha lhe batizando de Preta.

A confusão ficou tão grande que saí tranquilamente do lugar. Alguns dias depois reencontrei a mesma menina no caixa. Não resisti e disse,
- Pôrra minha pretinha cê armou o maior fuzuê. Deus é mais!
A pretinha riu.
Ufa! Deve ter sido uma distorção tempo/espaço, nível 5 sigma.

Professor Viana

Professor Viana. Jacinto Viana. Bon vivant, alto, atlético, bonito. Suave, simpático, um empresário bem sucedido. Um filósofo, um homem inspirador.
Estudante de Medicina, casou com uma mulher bonita, largou a faculdade para trabalhar, criou uma empresa, ficou rico.

Professor? Sim, professor de matemática na Escola Técnica da cidade. Sedutor incurável, era louco por meninas bonitas.
Não precisava, não dependia do salário de professor. Mas era na escola, frequentada por meninas de classe média baixa, que ele exercia seu charme irresistível de empresário, de professor, de colecionador de Camaros e Mustangs.
Fui amigo da família, amigo de seu filho, namorei rapidamente uma de suas filhas, belíssima por sinal. Professor Viana foi um dos filósofos mais sinceros que conheci da difícil arte de ganhar dinheiro. Ele ganhou muito, facilmente. Lembro-me de duas pérolas de seu pensamento.

Numa manhã de domingo estávamos todos bebericando uns scotchs na beira da piscina da mansão. Todos alegres, despreocupados. Menos o filho dele.
Professor Viana notou, perguntou,
- O que você tem? Estás com uma cara horrível.
- Hoje é sábado pai, na segunda-feira temos um monte de pagamentos para fazer e estamos sem caixa.
- Sim. Qual o problema?
- Estou muito preocupado, não consigo dormir direito.
O Professor riu,
- Durma tranquilo. Quem tem de perder o sono é quem tem a receber.

Numa manhã de sábado, estávamos em sua casa, sentados à mesa, num tardio café da manhã, depois de uma fantástica noite de diversões. Um caríssimo tour que começara em um restaurante continuara em um bar e terminara numa boîte.
Comentávamos o quanto havíamos gasto. Ele riu,
- Meu filho, dinheiro é extremamente importante. Temos de ganha-lo, nem que seja honestamente.

Ipanema uma Explosão de Juventude

A década de 60 em Ipanema foi uma farra, uma explosão de juventude.
Havia a pílula, o rock’n’roll, a mini-saia, o bikini, os Beatles, o Credence, os Stones, o movimento estudantil, os festivais de música, o tropicalismo, a imprensa alternativa, os hippies, Hendrix, Joplin, o surf chegando.

Uma festa total e absoluta. Mas que foi sobretudo uma imensa farra sexual. As meninas acordaram, acordaram cedo e acordaram com muita, muita vontade.
Muitas meninas de 14 anos se envergonhavam de serem virgens. Era “careta” ser virgem. Muitas que estavam sem namorado pediam aos amigos para lhes livrarem do problema, para não ficarem para trás das amigas.

Os rapazes já não precisavam mais dos favores das domésticas, das empregadinhas, das graxeiras. Graxeira, usado ora como substantivo ora como adjetivo foi um neologismo de origem curiosa. Ao fim da tarde começo da noite as domésticas, terminado o serviço, se arrumavam e ficavam na porta das casas ou dos prédios, conversando, encostadas nos muros que em geral tinham plantados os hibiscos, a rosa-sinensis, as graxas-de-estudante. Deste hábito surgiu o genérico graxeira. As provedoras de favores aos filhos das patroas.

Mas as garotas de dentro das casas acordaram, se soltaram, invadiram a praia das graxeiras. Os rapazes adoraram. Alguns se assustaram com tamanha liberalidade das irmãs e primas. No final a farra se instaurou na Republica Independente de Ipanema que tinha justamente numa garota seu símbolo.
Havia algumas farmácias que vendiam a pílula mágica para menores. Os farmacêuticos se rendiam ao inevitável sabiamente dizendo que era melhor liberar que estragar a juventude das meninas.
Novulon vendia como pipoca. Quando as mães descobriam aquela caixinha redonda e azul era um escândalo. Rendia umas lágrimas e a farra continuava.

Morando na Nascimento Silva quase esquina da Montenegro, hoje Vinícius de Moraes, minha praia era ali mesmo em frente. Pra quem não sabe todo carioca tem sua praia, é fixa, não muda, não pode nem deve mudar. É questão social, cultural. Mudar de praia é mais que um transtorno é uma traição aos amigos. Quem muda de praia é pouco menos que um pária.
Lá na praia havia uma lenda viva. El Aríete. Um cara bonito, aí de uns quarenta anos, pai de um grande amigo meu o Josetti.

O pai do Josetti era realmente bonito. Alto, forte, atlético, apesar de funcionário do Banco do Brasil também era modelo da Ducal, uma loja de roupas masculinas. O cara estava sempre nas páginas dos jornais em publicidades de ternos. Mas o que ele realmente gostava de usar era short de praia. Simpático e bronzeado o cara era fera no vôlei de praia. As meninas babavam assistindo as partidas.
Ele adorava. Louco por uma menininha, numa época em que virgindade tinha se transformado em problema ele contribuía para a solução. A praia retribuiu com um apelido. El Aríete.

O cara realmente tava traçando a praia toda, perigava chegar ao Leblon. Meu amigo Josetti, apesar do justo orgulho, era até meio traumatizado,
– Pô, meu pai já comeu metade da praia! Quando você se interessa em namorar uma menina descobre que seu pai já comeu. Assim não dá!

O Ministro e as Manifestações

O Ministro Francisco Rezek, ex-juiz da Corte Internacional de Haia, que ocupou a pasta do Ministério das Relações Exteriores de 1990 a 1991 é um mestre na arte da linguagem diplomática que produziu algumas destas pérolas.
Quando o Iraque invadiu o Kwait iniciando a Guerra do Golfo ele informou aos jornalistas que,
- Estamos notando um certo clima de hostilidades na região.
Na época houve um grave conflito na fronteira do Brasil com a Colômbia quando um avião da FAB foi abatido e tropas dos dois países entraram em conflito armado. Perguntado sobre a situação ele respondeu algo como,
- Temos notícias de algum desconforto na fronteira.

Fico imaginando se ele fosse porta-voz do governo falando sobre as atuais manifestações que incendeiam o país.
- O senhor acredita que as manifestações demostram uma população cansada da classe política? 
- É até certo ponto compreensível que alguns setores não se sintam inteiramente confortáveis.
- O povo não estaria dando um basta na impunidade e na corrupção?
- Não é difícil imaginar que algumas camadas demonstrem alguma falta de confiança na sinceridade de seus representantes.
- Ministro o que o governo tem a dizer sobre as grandes manifestações de insatisfação que estão acontecendo por todo o país?
- Temos testemunhado que muitos jovens foram às ruas se pronunciar de forma mais expressiva.
- Mas houve inclusive invasões em Brasília, São Paulo e Porto Alegre.
- É provável que alguns jovens tenham cedido a algum grau de precipitação no entusiasmo das manifestações.
- Mas ministro houve invasão e incêndio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro!
- Não é de todo improvável que jovens mais impulsivos tenham se comportado de forma menos serena.

- E quanto ao despreparo e a grande violência policial?
- Algum mal-estar poderá ter ocorrido. Temos conhecimento que alguns componentes das forças públicas poderão não ter sido devidamente cuidadosos no uso de seus instrumentos de contenção.
- Mas ministro houve muitos manifestantes feridos!
- Imagino que alguns manifestantes que pontualmente tenham passado por algum tipo de constrangimento físico possam ter precisado de atenções médicas.
- Ministro há pelo menos o caso de um rapaz em estado grave, correndo risco de vida!!!
- Nesta eventualidade seríamos levados a lamentar que este jovem nos deixasse prematuramente.

O Padre e o Rabino

Um rabino e um padre almoçam juntos, o padre comendo porco pergunta,
- Não sentes falta de um sabor tão bom?
- Não. O senhor já fez sexo?
- Sim, antes de me ordenar, antes dos sagrados votos de castidade.
- Um sabor  bem melhor que o do porco não?
O padre insiste,
- Se deus fez o porco não pode ser pecado comê-lo. Por que não experimenta?
- Vou experimentar no dia do seu casamento.
O rabino pergunta,
- Como você faz para dividir o dinheiro das ofertas?
- Simples. Faço um círculo no chão, jogo o dinheiro para cima, o que cair dentro é meu, o que cair fora é de deus.
- Meu método é mais simples. Jogo o dinheiro para cima, o que deus quiser ele pega, o que ele não quiser é meu.
O padre provoca,
- Ontem sonhei com o paraíso judaico. Parecia um gueto, muito comércio, muita gente, muito barulho, uma confusão enorme. O barulho era tanto que acordei.
- Também sonhei com o paraíso cristão. Muito tranquilo, muito bonito, casas limpas, lindos gramados, casas bem alinhadas, gramados certinhos.
- E como as pessoas se comportavam?
- Que pessoas?

Na mesa ao lado dois homens falam de seus rabinos.
- O meu é poderoso, ele encontrou um lago em seu caminho, levantou a mão e então havia lago à sua direita, lago à sua esquerda, mas não havia lago no meio.
- O meu é mais poderoso ainda. Ele estava passeando num sábado quando viu um maço de dinheiro em seu caminho. Ele levantou o braço e então havia sábado à sua direita, sábado à sua esquerda, mas não havia sábado no meio.

Neste momento chega alguém querendo se confessar, o padre não vê problema que o rabino ouça.
- Padre perdoe-me, pequei. Cometi adultério 3 vezes.
- Reze 100 ave-marias e coloque 10 reais na caixa de ofertas para os pobres. Pode ir.
O padre vai ao toalete e pede ao rabino que tome conta de seu lugar. Chega mais alguém querendo se confessar.
- Preciso de perdão cometi adultério 2 vezes.
- Não se preocupe, cometa mais um. Aproveite a promoção de 3 por 10 reais.
O padre volta para a mesa, o rabino pergunta,
- Mas diga-me, a carreira na igreja católica é fácil?
- Chegar a padre é fácil. Depois com esforço se chega a bispo.
- E depois?
- Com muito mais esforço se chega a cardeal.
- E depois?
- Depois só papa. É extremamente difícil.
- E depois?
- Acima do papa não há mais nada, só deus. É impossível.
- Um dos nossos rapazes conseguiu.

Origem do Eita!

Minha prima Virgínia que ultimamente anda meio nostálgica de suas raízes nordestinas chama atenção para expressões regionais que estão se espalhando pelo resto do Brasil como o Vixe e o Eita, ambas expressões de espanto.

O Vixe, e o Ixe, são o fascinante fenômeno de sucessivas contrações ao longo do tempo da expressão Valei-me Minha Nossa Senhora Mãe Virgem Santíssima. A frase original se contraiu não apenas para as expressões Nossa Senhora! , Nossa Mãe! e Nossa! mas para a ainda menor Nosss...
Da contração de Virgem Santíssima! saíram o Virgem! , o Vixe e o Ixe.

Já a expressão Eita! é de origem mais complicada.
Entre a maior parte dos estudos etimológicos já conduzidos na garimpagem do Eita! há uma versão mais aceita tanto pelas academias de Portugal quanto do Brasil.
Torredeita é um pequeno povoado no norte de Portugal em uma das mais importantes freguesias do concelho de Viseu, de onde fica a cerca de 10 quilômetros. A região remonta ao século XIII apesar de alguns historiadores acreditarem que o povoado é ainda mais antigo.

Para o Professor Moreira de Figueiredo e para o Dr. José Coelho, um dos maiores arqueólogos viseenses a origem etimológica do topônimo Torredeita esta ligada a “existência do ribeiro que costumamos designar por “Rio Eita” e portanto de Torre d’Eita como aliás durante muito tempo se escreveu o nome da frequesia”.

A expressão Eita está ligada a uma grande seca ocorrida há alguns séculos na região que fez o ribeiro Eita secar. Dizia-se com espanto que a seca era tanta que “secou até o rio Eita”. Com o passar do tempo a frase se consolidou como expressão de grande espanto. Ao passar pelo natural processo de contração a expressão virou “secou o Eita!”.

Muitos anos depois junto com as sucessivas levas de imigrantes do norte de Portugal pra o Nordeste do Brasil a expressão chegou até aqui. Semelhantemente ela foi usada nas mesmas situações das secas que afligem a região. No processo de assimilação cultural a expressão de espanto “secou o Eita!” acabou se contraindo para “secou, Eita!” e finalmente “Eita!”

Well, well. A freguesia de Torredeita, o rio Eita, o Professor Moreira de Figueiredo e o Dr. José Coelho são reais. Já o que vem depois é pura sacanagem.
O tipo de besteirol que nossos impostos financiam em centenas de pesquisas inúteis que enchem as prateleiras de nossas universidades.

Take Me to Your Leader

Faz exatamente sessenta anos que esta catchphrase foi dita e imortalizada.
Leve-me a Seu Líder, a frase padrão do extraterrestre ao desembarcar do disco voador e encontrar o primeiro ser humano. Ela foi usada pela primeira vez por Alex Graham em um cartoon na revista New Yorker em 1953.

De lá para cá Take Me to Your Leader foi usada muitas e muitas vezes em filmes de ficção científica, e em situações cômicas, para mostrar a importância do contato.
A expectativa de como será feito contato com extraterrestres é constante tanto na ficção científica quanto na realidade científica. Quando a NASA lançou a primeira Voyager em 1977 ela carregava discos de ouro gravados com sons e imagens da Terra. O conteúdo dos Voyager Golden Records foram selecionados por um comitê da NASA chefiado por Carl Sagan e colegas da Universidade de Cornell.

Os discos contêm cento e quinze imagens, sons naturais, saudações em várias línguas, obras de Bach, Beethoven, Stravinsky, Mozart e o rock Johnny B. Goode de Chuck Berry. Carl Sagan queria incluir Here Comes The Sun dos Beatles, eles toparam mas a gravadora EMI não autorizou sabe-se lá por que.
Dificil imaginar a reação do extraterrestre que ouvir Chuck Berry contando que em Louisiana perto de New Orleans há um garoto que não sabe nem ler nem escrever mas que toca guitarra muito bem, sentado na sombra debaixo das árvores, olhando o trem passar. Pior, saber que a mãe do Johnny B. Goode ao invés de manda-lo pra escola fica sonhando quando ele terá um grande banda.
Vamos causar uma péssima impressão. Ainda bem que Sagan não mandou Before You Accuse Me.

Mas relaxe. O Steve Martin, no programa Saturday Night Live, disse que os extraterrestres depois de ouvir o disco responderam: Mandem mais Chuck Berry.
Na verdade esses não foram os primeiros sons e imagens que escaparam da atmosfera terrestre para o espaço. As primeiras imagens já transmitidas pelo homem, e que continuam se propagando pelo universo, foram as dos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936.

Portanto na eventualidade de se concretizar a cena Leve-me a Seu Líder, imaginada por Alex Graham, os extraterrestres vão notar que o Líder além de não usar mais bigodinho está consideravelmente bronzeado. Além de muito bem acompanhado.

Humor Judaico

A contribuição dos judeus para a história da Humanidade é um patrimônio inestimável. Nas artes, na ciência, nas finanças, na economia, na filosofia, na psiquiatria e na religião pouquíssimos povos contribuíram tanto. Mas há algo mais, há algo monumental do cotidiano. O impagável humor ferozmente auto-depreciativo.

Freud analisou a natureza do humor, e do humor judaico, em Chistes e sua Relação com o Inconsciente, um trabalho de 1905 relativamente pouco valorizado.
Ele próprio um judeu, Freud precisou deixar a Áustria durante o nazismo depois da prisão de Anna sua filha. Após o interrogatório, e antes de se exilar na a Inglaterra, ele foi obrigado a assinar para a Gestapo um documento onde dizia que não havia sofrido maus-tratos. Após assina-lo Freud acrescentou de próprio punho: Posso recomendar altamente a Gestapo a todos.

Nesta época em Berlin dizia-se que um judeu estava lendo o Der Stürmer o jornal oficial do partido nazista. A mulher dele vê,
- Está louco? Isso é masoquismo!
- Muito pelo contrário. Nos jornais judeus só há notícias sobre pogroms, perseguições e injustiças. Mas estou lendo aqui no Der Stürmer que nós judeus controlamos todos os bancos, dominamos as artes e que pretendemos dominar o mundo. Isso me deixa muito feliz.

Einstein, também um judeu disse à respeito de sua Teoria da Relatividade: - Se ela estiver certa os suíços dirão que sou um um homem sábio, os franceses dirão que sou um cidadão do mundo e os alemães dirão que sou um alemão; mas se a teoria estiver errada os suíços dirão que sou idiota, os franceses dirão que sou um alemão e os alemães dirão que sou um judeu.

Pérolas judaicas:
- Qual a diferença entre uma esposa cristã e uma esposa judia? A cristã tem orgasmos verdadeiros e joias falsas.
- Qual a diferença entre um judeu e o papai-noel? Papai-noel desce pela chaminé.
- Qual a diferença entre garotos judeus e os escoteiros? Os escoteiros voltam dos campos.
- Pedi a uma mulher qual seu número. Ela levantou a manga da camisa.
- Sabes por que Hitler se matou? Nós lhe mandamos a conta do gás.

Kvetch em iídiche significa aproximadamente reclamar, choramingar, se queixar. Uma palavra com forte influencia cultural e religiosa que reflete o período milenar da Diáspora, o exílio do povo de Israel entre povos e culturas hostis que marcou a língua e o comportamento judaico. William Grimes diz que o Judaísmo é definido pelo exílio e exílio sem queixa é turismo.
Um senhor que está em um trem se queixa,
- Tenho sede, tenho sede. Todos ouvem o kvetch, um passageiro se levanta e dá-lhe um copo d’água. O homem agradece, toma o copo inteiro. O passageiro volta a seu lugar e ouve novamente o kvetch do senhor,
- Eu tinha sede, eu tinha sede.

Um paciente hospitalizado pede ao medico para ser transferido de hospital.
- O que há de errado? A comida não está boa?
- A comida é boa, não posso kvetch, não posso me queixar.
- O problema é o quarto?
- O quarto é bom, não posso me queixar.
- Então é a equipe?
- De forma nenhuma, a equipe é ótima, não posso me queixar.
- Então por que ser transferido?
- Não posso me queixar.

No filme austríaco Die Fälscher - Os Falsários - de Stefan Ruzowitzky há uma cena antológica. Os prisioneiros judeus estão todos reunidos numa sala do campo de Sachsenhausen. Um deles conta a mais feroz piada que conheço do já ferocíssimo humor judaico.
- Vocês sabem por deus não está presente nos campos de concentração? Por que ele não consegue passar na seleção.

Mulheres Lindas e suas Línguas Ferinas

Há mulheres que têm a língua mais mortal que suas belezas. 
Tive uma bela amiga a quem contei que “não há mulher que nunca tenha comido uma alface por vaidade, uma caixa de Bis por ansiedade ou um cafajeste por saudade”. Ela riu do alto de sua experiência, 
- É bom deitar com cafajestes, eles fazem tudo que você quer. 

Marylin Monroe, Mae West e Arletty além de belas tinham línguas ágeis e afiadas. Perguntaram a Marylin o que ela usava para dormir, 
- Duas gotinhas de Chanel no. 5. 
Sabiamente aconselhou, 
- Se você vai der duas-caras, pelo menos faça uma delas bonita. 
- Homens enxergam as mulheres como livros. Se a capa não seduzir eles não olham para o interior. 
- Uma mulher esperta conhece seus limites, uma mulher inteligente sabe que não tem nenhum. 
- Homens de verdade enlouquecem pelas mulheres que sabem dizer não. 
- Uma garota esperta beija mas não ama, ouve mas não acredita, e deixa antes de ser deixada. 

Mae West era ainda mais mortal. 
- Quando sou boa sou ótima mas quando sou má sou maravilhosa. 
- Entre dois pecados sempre escolho o que nunca experimentei antes. 
- Tenha de reserva um namorado para os dias chuvosos e outro para o caso de não chover. 
- Todos os homens que abandono merecem uma segunda chance. Mas com outra. 
- Eu evito as tentações, a menos que eu não consiga resistir. 
Ao deixar o casaco de peles na chapelaria de um teatro a funcionária ao ver seu colar se espantou, 
- Meu deus, que diamantes! 
- Meu bem, deus não tem nada a ver com isso. 

Arletty foi uma atriz francesa do começo do século, belíssima, a primeira a ter as pernas colocadas no seguro. 
Durante a invasão alemã da França na Segunda Guerra ela se apaixonou em Paris por Hans Jürgen Soering um jovem oficial alemão da Luftwaffe. Depois da guerra ela foi presa por traição e colaboracionismo com o inimigo. Presa em Drancy uma freira tentou aproxima-la de deus, 
- Já nos conhecemos, mas a relação não deu certo. 
Levada a julgamento lhe perguntaram por que tinha sido amante de um oficial alemão, 
- Ninguém usa uniforme na minha cama. 
E completou magnífica, 
- Meu coração é francês, mas minha bunda é internacional.
Os franceses entenderam, perdoaram e anos depois ela estava sentada, desta vez no júri, do Festival Internacional de Cinema de Cannes.

Boa Forma em Boa Viagem

Tenho um grande amigo Beto Faria, atual Secretário da Fazenda de Olinda. Beto é um dos homens mais calmos e conciliadores que conheço. Já o vi lidar com greves de funcionários públicos, negociar demandas trabalhistas delirantes e sanar finanças impossíveis. O cara tem um jogo de cintura de fazer inveja a dançarina de dança do ventre.

Beto tem a calma e o autocontrole típicos do mergulhador que é. Mas apesar do bom humor ele quase perdeu a paciência. Beto foi ao super-mercado prosaicamente fazer umas pequenas compras num desses walmarts da vida. Em Boa Viagem, Recife. Até aí nada de mais.
Como estava comprando poucos produtos ele naturalmente foi para fila das pequenas compras. Apenas para descobrir que na fila das pequenas compras havia carrinhos gigantescos com compras para meses. Com sua calma natural ele muda de fila e vai para uma das filas normais. Sem problema, sem stress.

Ele fica logo atrás de uma senhora com um carrinho nem tão volumoso assim. Em cima do carrinho, sentado sobre as compras estava perigosamente equilibrado um menino, provavelmente filho da tal senhora. O moleque fazia todos os malabarismos necessários para se despencar no chão, mas nem com toda sua esperteza ele conseguia se deixar atrair pela Gravidade. A Lei não se aplicava àquela criatura. A fila não andava, o moleque aprontando.
A essa altura Beto já estava intimamente torcendo que o diabinho se esborrachasse no chão. Para apressar a desgraça do moleque ele chegou até a dar umas pequenas ajudas, uns toques leves no carrinho. Mas nada, o moleque era protegido por alguma entidade maléfica.

A fila não andava direito, o menino barbarizava, a mulher nem se abalava. A mulher era gorda. Muito gorda, imensa. Dessas que o barateamento dos carbohidratos está produzindo aos milhares.
Gorda e tranqüila. Tão tranqüila que nem o barulho do supermercado, nem o atraso da fila nem muito menos as loucuras que o menino aprontava movimentavam sua enorme massa adiposa. Ela estava extremamente absorta em sua leitura. Com muita atenção ela lia, muito apropriadamente, o último exemplar da revista Boa Forma.

Quem já estava quase perdendo a boa forma era Beto. Mas eis que o menino apronta uma ótima, consegue realizar uma tremenda façanha. Lá do alto da montanha de compras, se equilibrando entre biscoitos e macarrões, pesquisando entre sabonetes e manteigas o pestinha descobre no fundo do carrinho um brinquedo. Ou pelo menos o que lhe parecia ser um brinquedo.
A demoníaca figura estava agora empunhando um destes detergentes que têm coronha, gatilho e bico disparador. O moleque agora estava armado! E toca a disparar.
Beto pacientemente se desviava dos disparos. E a lipo-criatura nada, não se abalava concentrada em sua boa forma. Finalmente acabou acontecendo. O moleque disparou um jato de detergente no próprio olho. O inferno agora estava completo.

Além da tortura das filas, das ansiedades da espera, do empurra-empurra, do sofrimento em meio ao caos, agora também havia os gritos horrendos do infame.
A mulher não teve outro jeito senão deixar de lado a Boa Forma, perder a própria e tentar domar o moleque estrebuchante. E Beto atrás, esperando, ouvindo, suportando. Mas como não há mal que sempre dure a macro-adiposidade acabou sendo atendida pelo caixa. Quando ela finalmente já se preparava para desaparecer, nota que na sua conta havia a substancial, a inaceitável diferença de um real e vinte e cinco centavos.
Para tudo. Chama o gerente, chama o fiscal, refaz a conta quilométrica.

Neste momento Beto reviu mentalmente toda sua vida. Corajosamente revisou cada detalhe desde a infância. Analisou a adolescência, honestamente lembrou de tudo e concluiu que com certeza não havia batido na própria mãe. Beto respirou fundo. Respirou com aquele fôlego enorme de mergulhador e encarou o desafio. Esperou pacientemente que finalmente a contenda se resolvesse. Tudo terminado, a dupla insana se foi, se perdendo nas ondas da multidão.
Finalmente chegara sua vez. Beto começa a tirar suas duas ou três compras do carrinho e a coloca-las no balcão. Sorri para a moça do caixa, aliviado. Ela olha para ele com um ar grave de veredito final.
- O caixa quebrou, está encerrado.

Neste momento Beto teve uma revelação.
Ele começou a ter uma verdadeira experiencia religiosa. Ele que já tivera algumas dúvidas na existência de deus agora tinha certeza da existência do diabo. Ou pelo menos, para ficar no regional, na do Curupira, na do Saci que se divertem fazendo confusão na vida dos outros.
Anos de luta política não podiam ter sido em vão. Neste momento, paciência e determinação lhe foram mais úteis que na época do regime militar. Beto esperou que tudo voltasse à normalidade. O caixa voltou a funcionar, as compras foram passando, a moça ia registrando.

Mas eis que quando ele olha aliviado para o empacotamento de suas compras descobre que o supermercado tem uma orientação politicamente correta.
O empacotador era deficiente físico. Só tinha um braço.

Piadas Soviéticas 2

A onda da Ostalgie está trazendo de volta ao mercado antigos produtos da era soviética como café apenas com pó de malte e barras de chocolate sem cacau.
Restaurantes de "comida comunista" estão sendo inaugurados e por mais bizarro que  seja já existe à venda fumaça de Trabbie enlatada. 
Abre-se a lata e sente-se aquele cheiro horrível que o carrinho - agora um ícone ossie - espalhava pelas ruas. Até corridas estão sendo disputadas, pasme nos EUA, apenas com eles na pista. Louis Althusser certamente teria algo a dizer sobre Incorporação mas isso já é outro papo.

Afinal parece que o filme de Wolfgang Becker já continha uma semente dessa nostalgia ao se despedir de LêninNaturalmente o humor mortalmente sarcástico do período está sendo relembrado.

- É verdade que o marxismo-leninismo é científico?
- Não, se fosse teria sido testado primeiro em animais.

- O capitalismo é a exploração do homem pelo homem. E o comunismo?
- É exatamente o contrário.

- O capitalismo está à beira do precipício, mas o comunismo vai ultrapassa-lo.

Durante o gélido inverno na Romênia, com temperaturas muito abaixo de zero, o camarada Ceausescu impôs um racionamento de energia em que só era permitido aquecer a casa duas horas por dia. Perguntava-se em Bucareste,
- O que é mais frio que água fria? 
- Água Quente.

Depois do acidente nuclear de Chernobyl e da imensa radioatividade liberada surgiu esta: 
- Quantos russos são preciso para se substituir uma lâmpada? Nenhum, todos eles brilham. 

- É verdade que metade do Comitê Central do Partido Comunista são idiotas? 
- Não isso é falso. Metade do comitê não são idiotas. 

- Brezhnev exige que a Roscosmos, a agencia espacial russa, ultrapasse a Nasa e que astronautas russos pousem no Sol. 
- Mas camarada, eles irão se incendiar. 
- Então faça o pouso durante a noite. 

Um novo condenado chega ao campo de prisioneiros. Alguém lhe pergunta, 
- A quantos anos foi condenado? 
- Vinte e cinco anos. Mas sou inocente. 
- Não tente me enganar. Inocentes só pegam cinco anos.

- Vovó, Lênin era bom? 
- Sim, meu netinho, era bom. 
- E o Stalin era mau? 
- Era sim, meu netinho, era mau. 
- Vovó, o Khruschev é bom ou mau? 
- Assim que ele morrer, saberemos. 

Dizia-se que Lênin mostrou como se pode dirigir. Stalin mostrou como se deve dirigir. Khruschev mostrou que qualquer idiota pode dirigir. Brezhnev mostrou que nem todo idiota pode dirigir. 

Na Russia se dizia que o país tinha sete safras agrícolas por ano.
- Impossível disse um agrônomo ocidental.
- Temos a safra russa, depois a húngara, a alemã, a polonesa, a búlgara, a tcheca e a romena.

Brezhnev começa a enumerar as conquistas do Plano Quinquenal numa assembléia do partido. 
- Na Ucrânia foi construída uma usina elétrica. 
Ouve-se uma voz no salão, 
- Acabei de vir de lá. Não existe nenhuma usina elétrica nova. 
Brezhnev continua: 
- Na Geórgia foi construída uma indústria química. 
A mesma voz, 
- Estive lá a semana passada. Não havia nenhuma fábrica. 
Brezhnev não se contêm, 
- O camarada deveria parar de viajar e ler mais os jornais.

Alguém morre e vai para o Paraíso e lhe perguntam a ele se há algo que ele gostaria de ver antes de entrar. Ele pede para ver como é o inferno e lá vê um lago de lama escaldante e dentro dele Hitler e Stalin. Hitler está com lama até o nariz e Stalin até a cintura. 
- Por que o Stalin está com lama só até a cintura? 
- Stalin está em cima dos ombros de Lênin. 

Durante exercícios militares entres as forças armadas cubanas e soviéticas um capitão soviético dirige-se a um dos seus soldados e ordena: 
- Soldado Ivanov. 
- Sim meu capitão. 
- Espete a baioneta no pé direito
O soldado cumpre a ordem e continua em sentido sem mexer um único músculo. 
- Não te queixas Ivanov? 
- Não meu capitão. 
- Porque? 
- Porque o meu glorioso exército através de heroicos exemplos ensinou-me a suportar a dor.
O oficial cubano não se abala e vira-se para sua tropa. 
- Soldado Perez. 
- Sim, meu Capitão. 
- Espete a baioneta no pé direito.
O soldado cumpre a ordem e continua em sentido sem mexer um único músculo. 
- Não te queixas Perez? 
- Não, meu Capitão. 
- Porque? 
- Porque o meu glorioso exército distribuiu botas 47 e eu calço 42.

Em Cuba um camarada adormece durante um discurso de Fidel. Nisso passa um rato e um dos presentes grita: 
- Mata-o, mata-o!
O que estava dormindo desperta sobressaltado e grita, 
- Mata o irmão também!

Fidel visita uma pocilga e vendo uma porca comenta: 
- Seguramente ela irá parir dez porquinhos.
Um mês depois, a porca tem apenas seis porquinhos. O administrador da pocilga informa que foram sete. O chefe do setor informa que ela pariu oito. O governador provincial informa ao ministro que nasceram nove. E este informa a Fidel que a porca pariu dez porquinhos. 
Fidel ordena repartir os porquinhos: seis porquinhos para o turismo e quatro para consumo popular. 

Um turista espanhol em Havana encontra um cubano. O cubano pergunta: 
- Você é católico?
- Eu acredito, mas não pratico. E você, é comunista?
- Eu pratico, mas não acredito. 

Qual é o maior país do mundo? 
Cuba por que tem o território no Caribe, o exército em Angola, o governo em Moscou e a população em Miami. 

Brezhnev está fazendo um discurso na Praça Vermelha.
- E a partir de agora temos de fazer mais sacrifícios.
Ouve-se uma voz na multidão, 
- Trabalharemos o dobro.
Brezhnev continua.
- E haverá menos alimentos.
A mesma voz: 
- Trabalharemos o triplo.
Brezhnev prossegue: 
- E as dificuldades vão aumentar.
- Trabalharemos o quádruplo!
Brezhnev vira-se para Andropov, 
- Quem é esse idiota que vai trabalhar tanto?
- O coveiro.

Durante um racionamento na II Guerra militares alemães estão em um abrigo subterrâneo fazendo fila para receber alimentos. Um deles empurra todo mundo e fura a fila. Foi preso, era um espião soviético infiltrado. 

O telefone toca na Lubianka sede da KGB. 
- Estou ligando para denunciar Pavel Ivanovitch como inimigo do povo. Ele está escondendo diamantes roubados entre a lenha da casa. 
No dia seguinte agentes da KGB invadem a casa de Pavel, procuram os diamantes no galpão e quebram cada pedaço de madeira. Não encontram nada. À noite ele se encontra com o vizinho Piotr que lhe pergunta, 
- Estiveram lá? Cortaram sua lenha? 
- Sim. 
- Então agora é sua vez de ligar. Eu preciso que minha horta seja arada. 

Honecker o presidente da DDR, a Alemanha Oriental, comenta com Markus Wolf comandante da Stasi a temida e onipresente policia secreta do estado:
- Meu hobby é guardar as piadas que fazem sobre o regime.
Markus responde,
- O meu é parecido, eu gosto de guardar os que fazem essas piadas.

Gorbatchov está fazendo uma palestra para um destacamento de mulheres do Exército Vermelho. 
- Estou preocupado com a reputação das mulheres russas no exterior. Mais um bordel está sendo inaugurado em Berlin. 
As mulheres todas se levantam e começam a sair da sala.. 
- Calma ele só será inaugurado no próximo mês. 

Um juiz sai rindo de um tribunal. Um colega diz, 
- O que houve? 
- Acabei de ouvir uma piada ótima. 
- Conta. 
- Não posso, acabei de condenar o rapaz a dez anos de prisão. 

Duas tripulações uma americana e uma soviética pousam juntas na lua. 
Horas depois os americanos relatam à NASA que os soviéticos pintaram a superfície de vermelho e retornaram à Terra.. 
- Ótimo. Agora escrevam por cima com tinta branca em letras bem grandes: Coca-Cola. 

Numa rua há duas lojas uma em frente da outra. Numa está escrito Carne na outra Peixe. Uma mulher entra na loja onde está escrito Peixe e pergunta, 
- Vocês não têm carne? 
- Não, responde o balconista, o que nós não temos é peixe, quem não tem carne é aquela loja ali em frente.

Um judeu é chamado ao Partido. O Secretário Regional pergunta-lhe sua opinião sobre a questão hebraica na URSS.
- Concordo inteiramente com o editorial do Pravda sobre o assunto. 
O Secretário Regional insiste,
- Sim, claro, conhecemos a sua lealdade com o Partido, mas qual sua opinião pessoal sobre o assunto?
- Honestamente não tenho mais nada a acrescentar. 
- Mas com certeza que você tem a sua própria opinião, a sua opinião pessoal. 
- Sim camarada Secretário claro que tenho uma opinião pessoal. Mas não acredito nela!

O simpático Trabant produzido na Alemanha Oriental com tecnologia dos anos 30 era feito de uma mistura de plástico com papelão, queimava gasolina misturada com óleo e por onde passava deixava um cheiro horroroso. Custava o salário médio integral de três anos de trabalho, tinha um fila de espera de oito anos e depois da Reunificação valia pouco mais que nada. 
- Como se faz para dobrar o valor de um Trabbie? 
- Fácil, encha o tanque de gasolina. 

Os dois jornais mais importantes da URSS eram o Pravda (Verdade) e o Izvestia (Notícias).
Dizia-se que V'Pravde nyet izvestiy a v'Izvestiakh nyet pravdi. Não há izvestia no Pravda, nem pravda no Izvestia.

Um soviético conta porque tinha passado quinze anos preso na Sibéria.
Na primeira vez o Comissário Político da fábrica me contou que o enterro de Lênin tinha custado milhões de rublos. Eu disse, 
- Com todo esse dinheiro dava para ter enterrado Lênin, todo o Politburo e quase todo o Partido.
Fui condenado a cinco anos para reeducação.
Quando voltei tratei de calar a boca trabalhar como um louco e me inscrevi no Partido. Um dia apareceu o Comissário, 
- Camarada, eu não lhe vi na última reunião do partido. 
- Se eu soubesse que era a última teria ido. 
Fui condenado a mais cinco anos.
Quando voltei passei, além de trabalhar como dois loucos, a comparecer a todas as reuniões do Partido e cobri as paredes de meu apartamento com as fotografias dos membros do Politburo. 
Um dia o Comissário passou lá em casa. 
- Ah, muito bem camarada. Vejo que agora você é um bom cidadão soviético e respeita seus líderes. Mas, espere um pouco. O que a foto deste porco está fazendo aí? 
- Porco? Qual deles? 
Passei mais cinco anos.

Em Budapeste um húngaro comenta com outro,
- Vistes os jornais?
- O que houve?
- Um homem inocente foi condenado a dez anos de cadeia.
- Isso é uma absurdo! Já vi inocentes serem condenados a cinco anos, mas a dez é demais.

Aconteceu no fim de 1984. O presidente François Mitterand visitou Moscou acompanhado por alguns senadores franceses. Gorbatchov tinha uma reunião com eles e chegou um pouco atrasado ao Kremlin. Entrou na sala afobado, sentou-se à mesa e pediu desculpas pelo atraso.
- Estava tentando resolver um problema na agricultura soviética. 
O senador Claude Estier se espanta com a notícia e pergunta,
- Quando começou este problema? 
- Em 1917.